CONTE-NOS ALGO SOBRE A SUA NOVA VIDA

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English title: Tell us something about your new life
Collage on the wall
Dimensions: 14.50mX2.63m
Realized as part of Frestas Trienal des Artes “O que seria do mundo sem as coisas que não existem?”/”What would the world be without the things that do not exist?”
SESC Sorocaba, Sao Paolo
Special thanks to Katiane Junqueira and Ted Souza
Translation: Katiane Junqueira and Lauren Lydic
2014

The first version of “Tell us something about your new life”  was created in Tirana, Albania and addressed the conditions of working women in Socialist Albania, where the government’s official image differed from the reality of thousands of women working in agriculture and industry in that context.

After researching Brazilian and Latin American literature and history, including Susan K. Besse’s study “Modernizing inequality: restructuring of gender ideology in Brazil, 1914-1940” (which deals with the representation of women across the political periods that marked the continent), Adela Jušić reassembled her installation “Tell us something about your new life”.

For the exhibition in Frestas – Triennial of Arts, the artist focused her research on the urban working class women and their entry into the labor market, with particular attention to social tensions derived from own gender inequalities of the period.

Composed of overlapping text and image fragments from the magazine Revista Feminina published between 1914 and 1926, Adela’s work assumes that Brazil’s modernization occurred without fundamentally disturbing the structure of gender inequality and affirms Besse’s arguments. Adela brings together a set of texts and images of women who give voice to this hypothesis, marking the time-history-place with statements qualifying female labor and with images of women doing housework, a situation that was idealized by conservatives and labor unions dominated by men.

Adela’s work thus seeks historical analysis of reverberating cultural issues in women’s work, the cultural notion of domestic work, gender stereotypes at work (service sector, health, food) and the state’s role in the gender division of labor. In reviewing our history as a conductor of macro-level reflection over time, women’s struggles within the labor market remain equally present, just taking on another form in relation to neoliberal politics.
(curatorial text, excerpt)

 

http://frestas.sescsp.org.br/artistas.aspx
Photos making of and opening on Google +

Fast dramatic transformations in daily routines lifestyles and social customs followed Brazil’s entrance into the modern industrial age
Maintaining social hierarchy-MORALITY meant maintaining binary oppositions between classes and between sexes
Any attempt to dissolve these oppositions threatened the entire system of power
Questions about sexual morality and gender relations became explicit political issues
The state was alarmed by crisis of control over women
Brazil needed a new gender system for modern era
THE FAMILY IS THE FOUNDATION THE ELEMENTAL AND ORGANIC BASE OF THE STATE
State had to regenerate  family with woman at its center as the primary and essential social institution capable of fostering economic modernization while preserving social order
Women’s  primary and essential roles are wifehood and motherhood
The model of the urban bourgeois nuclear family was created
Middle class ideals were claimed UNIVERSAL and NATURAL
The family model based on a specific division of labor supporting male domination and female subordination emerged stronger when promoted within the urban working class
Women won all the rights of full citizenship but they were warned not to  exercise them because that would interfere with the performance of their most essential familial duties
Women were expected to cultivate an outward appearance of modern sophistication while carefully preserving the ETERNAL FEMALE QUALITIES of modesty and simplicity
Proper education for women was one that would make them good wives and competent mothers, capable of raising good citizens
Woman’s main role in modernizing society was still maintenance of organized household
Women were denied access to skilled industrial occupations
Domestic education in schools became obligatory for women
A woman s professional life should be merely a transitional phase
Increasing exposure to foreign ideas and styles threatened to subvert the national culture
Industrial production replaced household production
Domestic labor was DEVALUED economically and socially
Shopping became a daily necessity
WOMEN PRODUCERS became WOMEN CONSUMERS
The professionalization of medicine undermined women’s roles as caregivers
Service sector rapidly expanded
Society needed more workers
They had no choice but to hire women
The majority of them were from the lower classes and worked in low-status and low-paying jobs
Their inclusion in the labor force benefited Brazil’s economy more that it benefited women themselves
I9I6 Civil Code defined husband as the legal head of the household who held power to authorize or forbid to wife to pursue a profession
The question was not now WHETHER WOMEN SHOULD WORK but WHICH TYPE OF WORK IS APPROPRIATE FOR WOMEN
Conservatives and male dominated labor unions agreed that women belonged at home
Women who were freed from the delicious slavery of domestic life would find only unhappiness
Poor women who worked in early textile mills had wages much smaller than those of adult males
Stereotypes of female fragility of women who had worked brutal factory shifts are imposed
Most women could not join the labor unions because of their double duty as factory workers and homemakers
Women were thought to have tolerance for monotony therefore natural ability for routinized industrial labour
Further training for them was unnecessary and could have the undesirable effect of women asking for BETTER WAGES
Women tended to exit the factory once they get children
Negative image of women in factory did not result in prohibitions of women to work
It MARGINALIZED women workers professionally and DEPRIVED them the access to skills and better positions.
Category of woman worker was defined- TEMPORARY TRANSITORY UNSKILLED UNFORTUNATE ACCIDENTAL
Modernization occurred without fundamentally upsetting the structure of gender inequality
Text from collage

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Rápidas e dramáticas transformações nas rotinas diárias estilos de vida e nos costumes sociais acompanharam a entrada da era industrial moderna no Brasil
Manter a hierarquia social – MORALIDADE significava manter oposições binárias entre classes e entre os sexos
Qualquer tentativa de dissolver essas oposições ameaçavam todo o sistema de poder
Perguntas sobre as relações de gênero e moralidade sexual tornaram-se questões políticas explícitas
O Estado alarmou-se com a CRISE DE CONTROLE sobre as mulheres
O Brasil precisava de um novo sistema de gênero para a era moderna
A FAMILIA É O ALICERCE A BASE ELEMENTAR E ORGÂNICA DO ESTADO
O Estado teve que regenerar a família com a mulher em seu centro como a instituição social primária e essencial capaz de promover a modernização econômica preservando a ordem social
O papel primário e essencial da mulher é esposa e mãe
Foi criado o modelo nuclear da família burguesa urbana
Os ideais da classe média foram considerados UNIVERSAIS e NATURAIS
O modelo de família baseado em uma divisão específica de trabalho apoiando a dominação masculina e subordinação feminina emergiu mais forte quando promovido dentro da classe trabalhadora urbana
As mulheres ganharam todos os direitos de uma cidadania plena mas foram avisadas ​​para que não os exercessem pois isso interferiria no desempenho de seus mais importantes deveres familiares
Esperava-se que as mulheres cultivassem uma aparência de sofisticação moderna preservando cuidadosamente as ETERNAS QUALIDADES FEMININAS de modéstia e simplicidade
A educação adequada para as mulheres era aquela que faria delas boas esposas e mães competentes capazes de criar bons cidadãos
O principal papel da mulher na modernização da sociedade ainda era a manutenção de uma casa organizada
As mulheres não tinham acesso a cargos industriais qualificados
A educação doméstica para mulheres nas escolas era considerada obrigatória
A vida profissional de uma mulher deveria ser apenas uma fase de transição
O aumento da exposição a ideias e estilos estrangeiros ameaçou subverter a cultura nacional
A produção industrial substituiu a produção doméstica
O trabalho doméstico foi DESVALORIZADO econômica e socialmente
As compras tornaram-se uma necessidade diária
AS MULHERES PRODUTORAS TORNARAM-SE MULHERES CONSUMIDORAS
A profissionalização da medicina enfraqueceu o papel das mulheres como cuidadoras
O setor de serviços se expandiu rapidamente
A sociedade precisava de mais trabalhadores
Eles não tiveram escolha a não ser contratar mulheres
A maioria delas era das classes mais baixas e trabalhavam em empregos de baixo status e baixa remuneração
A inclusão das mulheres no mercado de trabalho beneficiou a economia do Brasil mais do que a elas próprias
O Código Civil de 1916 definiu o marido como o chefe legal da família que detinha o poder de autorizar ou proibir a mulher de exercer uma profissão
A questão não era agora se as mulheres poderiam trabalhar mas QUE TIPO DE TRABALHO SERIA ADEQUADO PARA AS MULHERES
Conservadores e sindicatos de trabalhadores dominados por homens concordaram que as mulheres pertenciam à casa
As mulheres que foram libertadas de sua deliciosa escravidão da vida doméstica encontrariam apenas infelicidade
As mulheres pobres que trabalhavam em fábricas têxteis no início tinham salários muito menores do que os dos homens
Foram impostos estereótipos da fragilidade feminina às mulheres que haviam trabalhado arduamente em turnos da fábrica
A maioria das mulheres não poderia se juntar aos sindicatos por causa de sua dupla função como operárias e donas de casa
Pensava-se que as mulheres eram tolerantes a monotonia tendo portanto a capacidade natural para o trabalho industrial rotineiro
Era desnecessária a formação contínua para elas e poderia ter o efeito indesejável de mulheres pedindo por MELHORES SALÁRIOS
Uma vez que as mulheres tinham seus filhos elas saiam da fábrica
A imagem negativa das mulheres na fábrica não resultaram em proibições das mulheres para  trabalhar
Isso MARGINALIZAVA as mulheres trabalhadoras profissionalmente e PRIVAVA-as do acesso a qualificações e melhores posições
A categoria de mulher trabalhadora era definida – ACIDENTAL TEMPORÁRIA TRANSITÓRIA DESQUALIFICADA DESAFORTUNADA
A modernização ocorreu sem perturbar fundamentalmente a estrutura da desigualdade do sexo

Text from collage, translation Katiane Junqueira

A partir de pesquisas históricas em bibliografia brasileira e latino ­americana sobre a representação da mulher ao longo de períodos políticos que marcaram o continente, Adela Jušić remonta a obra Conte­nos algo sobre a sua nova VIDA, a qual teve sua primeira versão acerca da condição da mulher trabalhadora na Albânia socialista e como a imagem oficial do governo se diferenciava da realidade de milhares de mulheres atuantes na agricultura e indústria daquele contexto. Para a exposição no Brasil, a artista debruçou sua investigação na classe trabalhadora urbana e sua entrada no mercado de trabalho, tendo especial atenção às tensões sociais derivadas das desigualdades de gênero próprias do período. O discurso de emancipação e progresso que embalou toda América Latina na primeira metade do século 20, tendo principal apoio provindo de políticas estados unidenses de boa vizinhança, não possuía em seu cerne ou proximidade de diálogo qualquer menção a uma possível emancipação da mulher na estrutura patriarcal de trabalho e sociedade. Desta forma, o trabalho de Adela busca a análise histórica da reverberação de questões culturais no trabalho feminino, a noção cultural sobre trabalho doméstico, estereótipos de gênero no trabalho (setor de serviços, saúde, alimentação) e o papel do Estado na divisão sexual laboral. Uma revisão de nossa história como condutora à uma reflexão macro, de como, apesar do alargamento do tempo, a luta pela inserção feminina no mercado de trabalho é tão presente quanto estarmos aqui agora.

TEXT FOR TRIENAL DES ARTES, Sorocaba, Sao Paolo, Brasil, by Beatriz Lemos

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